sábado, 4 de dezembro de 2010

O meu amor pela humanidade nasceu, não pela necessidade de dar, mas sim pela necessidade de dar-me.


É neste meu pensamento que está o cerne de todo o meu ser e de toda a minha perspectiva. De nada me serve oferecer ao mundo o que ao mundo pertence, em nada o enriqueceria. A minha missão passa então por oferecer-lhe a minha evolução, os meus ensinamentos, os meus pensamentos, a minha ajuda interior. É nele que vejo o meu objectivo, o sentido da minha vida.

Sinto que nasci para os outros, não para mim. A minha alma é tão grande e tão cheia que compreendo tudo quanto me dizem, que tenho a resposta para todas as amarguras dos seres terrestres, tão afastados de si próprios. Não existe em mim o julgamento, pois o respeito que tenho pela Natureza é tal que deixo que seja ela a encarregar-se da consciência e das lições que cada indivíduo deverá apreender.

Limito-me a ensinar a viver, a sentir a vida, e num sentido prioritário, a percepcionar a existência.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

São velhos panos de linho que cobrem o meu rosto. Feroz manto que envolve a pele crucificada.
E a dor de viver se balança no corredor, que cada vez parece estar mais além.

sábado, 6 de novembro de 2010

"Lascia ch'io pianga mia cruda sorte."


Hendel, in Rinaldo

domingo, 24 de outubro de 2010

"Multipliquei-me para me sentir,
para me sentir, precisei sentir tudo."

Álvaro de Campos

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Tenho saudades tuas. Tenho tantas saudades tuas.

Mas amo-te mais do que o que o que me escasseias.
Amo-te mais do que o que te arrependo.

E se te amo assim, acima da saudade, é porque me és o ser mais valioso do Universo, é porque ainda assim é menos doloroso amar-te do que esquecer que te amo.

Eu amo-te, e não sei dizer que te amo. Amo-te, eu amo-te tanto que mesmo caindo no abismo do teu esquecimento, eu continuo a gritar por ti, esperando ser escutada pelo teu interior que teimas em esconder de ti mesmo, eu continuo a ter coragem para te amar.

E mais nada precisa ser dito.

sábado, 25 de setembro de 2010

Pudesse o teu silêncio dizer-me onde estás...

domingo, 5 de setembro de 2010

Pensamentos sem ligação

Como são perfumados os crimes da minha voz. São pétalas de flores silvestres, campestres, de origens vastas, impossíveis de contar. São colinas verdes, de recorte original, como fiordes vindos das profundezas dos rios. São nus de curvas perfeitas, de carnudos sonhos e desejos.
Os meus delitos são pensamentos rendados, provenientes das alcovas reais dos castelos anciãos.
Que ventre é esse que possui a semente dos Deuses?
As palavras que se emanam das minhas cordas vocais, controladas pelos movimentos da minha boca, são verdades que se apuram, que se aglutinam, tendo em vista a evolução das humanidades. São o açúcar do doce que é a matéria universal, são a carne que sai da pele arrancada pelas mágoas terrestres.
Que tédio, os dias do planeta, sem mentes rasgadas de curiosidades, que tédio, as horas gastas no vazio que preenche o organismo, que tédio, a fome que a alma passa.
Sempre o mesmo dilema, nunca a solução que se procura. O afundamento das letras são a perdição do acabamento deste grito em vácuo.

Silêncio

Uma fenda rompeu debaixo dos meus pés, e eu caí. Caí no abismo do horizonte, num amontoado duro e feio, de feições graves, más. A paragem estabelecida pela minha veloz queda pintava-se em tons de terra e de rocha, e desenhava-se em linhas irregulares, a lápis negro, de artista amargurado. Era um deserto, um vazio de verdes, de vida, preenchido por poeiras provocantes que tentavam tapar-me os olhos feridos. Nem o céu salvava a paisagem oca com que eu me deparava, era cinzento, apagado de luz e nem vestígios retinha de nuvens.
Não era um lugar horripilante, nem despertava o susto, era simplesmente seco, simplesmente morto.


Não havia desespero dentro de mim, nem medo, nem sobressalto, nem nada...existia apenas uma companhia constante, assídua e fiel, ininterrupta, e de uma maneira precária, até confortante, a solidão. Sem opção, era a amiga de todas as horas, o solene refúgio de uma alma que mais nada tinha a perder.
A minha vida sabia a fel.
A podridão da minha inocência, da minha força, mentiram-me. Pelo bem, pela coragem, pela persistência, andei para trás, e por mais que segurasse a porcelana, ela caiu sempre. E eu remendei-a sempre.
A companhia do mundo é o carniceiro do espírito, luto da boa atitude, da boa vontade. Ah, como desacredito na esperança e nas lágrimas.
O som mais valioso do Universo era a minha única recordação, o imaculado, sagrado, puro santuário da memória do meu ser.
Era como o verdadeiro caminho, o 'para ser', o propósito.

E se tu me compreendesses, tiravas-me daqui.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pousa nos meus olhos, Tiago, agarra a minha mão e liberta-te.
Para que te depares contigo próprio, encontra-me.